O Ministério Público do Trabalho, em conjunto com os 24 MPTs de todo o país, dez estados, além do Distrito Federal e de Capinas, registraram 121 denúncias contra pelo menos 23 empresas nos últimos quatros dias.
De acordo com Ronaldo Fleury, procurador - geral do MPT ’’Eu tenho 25 anos de Ministério Público e em todo esse período só tinha me deparado antes com um caso semelhante, de um candidato que forçava seus empregados a votar nele, há mais de oito anos. Este volume de denúncias que tem chegado, a quantidade de empregadores praticando esse ato, é algo que causa espanto a todos nós’’.
É nítido que o patrão que pressiona o trabalhador a votar no seu candidato, na verdade sabe que o programa que este candidato defende vai favorecer a ele e ser contrário aos trabalhadores e demais setores populares da sociedade. Como o programa de Jair Bolsonaro, que se trata de um aprofundamento de ajustes neoliberais, privatistas e ataques sobre os direitos dos trabalhadores que o governo golpista de Michel Temer vem implementando.
TABELA DE VOTAÇÕES DOS PARTIDOS QUE APOIAM OS CANDIDATOS A PRESIDENTE.
A tabela mostra como votaram os partidos na PEC que congelou os gastos com saúde, segurança e educação e na Reforma Trabalhista. O congelamento prejudica principalmente população mais pobre. E está votação ocorrereu em 2016. Mas em 2018, uma outra votação prejudicou mais uma vez os trabalhadores, a reforma trabalhista. Baseado nisso, a tabela traz na última coluna uma avalição sobre quais partidos prejudicaram ou não os trabalhadores.
A tabela mostra também que os mesmos partidos que votaram pelo impeachment também votaram para prejudicar os trabalhadores. Ou seja, foi um golpe não contra o PT, mas contra a classe trabalhadora, foi um golpe de uma classe social.
A célula em azul trata de Bolsonaro, que votou Sim em todas essas votações. Como ele mudou de partido colocamos os dois
A CONCLUSÃO A QUE CHEGAMOS JÁ ERA ESPERADA: A CHAMADA ESQUERDA (PT, PSOL e PCdoB) não votou contra os trabalhadores, o centro também (PDT e REDE) não, mas a DIREITA VOTOU SIM CONTRA A GENTE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) falhou no combate às fake news (notícias falsas) disseminadas pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), mas a corte foi ‘bastante eficiente’ para barrar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo estudo do Instituto para Internet de Oxford, os bolsonaristas são os que compartilham maior número de fontes de informação falsa ou de baixa qualidade – as “junk news” ou notícias distorcidas – relacionada às eleições no Twitter, rede social em que ele tem o maior engajamento político.
O tribunal mostrou-se capaz de agir politicamente contra as candidaturas do campo progressista ou daquele que questiona o consórcio jurídico-midiático. Anthony Garotinho (PRP) que o diga. Poderia ir para o 2º turno, mas seu abatimento agradou muito a Globo no Rio de Janeiro.
Quanto a Lula, mantido preso político há 6 meses na Polícia Federal de Curitiba, poderia vencer a eleição no primeiro turno deste domingo (7). Foi barrado pelo TSE e, por isso, indicou Fernando Haddad (PT) para concorrer em seu lugar.
Voltemos às fake news.
A Folha relata que o conselho consultivo sobre internet e eleições criado pelo TSE não apresentou resultados efetivos no combate a proliferação de notícias falsas até o fim do primeiro turno da campanha.
“Formado por integrantes da Justiça Eleitoral, do governo federal, do Exército e da sociedade civil, o conselho se reuniu sete vezes para, basicamente, discutir o que é fake news e quais medidas poderiam ser tomadas para evitar sua disseminação.”
Para não ficar na mão do TSE, o PT montou uma estrutura própria de combate às fake news. “Recebeu alguma notícia falsa? ? Denuncie, envie uma mensagem para o número: (11) 974029171”, pede o partido em suas redes sociais.
Resumo da ópera: o combate às fake news foi uma grande fake news do TSE.
Folha de S. Paulo reconhece: Fernando Haddad foi um prefeito exemplar; reportagem sobre o período de Haddad na Prefeitura (2013-2016) admite: ele destacou-se na luta contra a corrupção, teve uma gestão financeira impecável e só não conseguiu concluir um ambicioso programa de obras porque metade de sua gestão (2015-16) foi impactada pelo abalo da economia decorrente crise aberta pela chantagem das elites contra Dilma
247 - Mesmo um dos veículos da mídia conservadora que tem a marca de antipetista radical, a Folha de S. Paulo, foi obrigada a reconhecer: Fernando Haddad foi um prefeito exemplar. Os Frias fizeram nos últimos anos um percurso similar ao do partido com o qual a família sempre teve identidade, o PSDB, da social-democracia para a direita. Mesmo assim, ao fazer uma reportagem sobre o período de Haddad à frente da Prefeitura de São Paulo (2013-2016), o jornal foi obrigado a reconhecer: ele destacou-se na luta contra a corrupção, teve uma gestão financeira impecável e só não conseguiu concluir um ambicioso programa de obras porque metade de sua gestão (2015 e 2016) foi impactada pelo abalo da economia decorrente da irresponsabilidade das elites em sua ação para derrubar Dilma Roussef, que lançou o país numa crise profunda.
O artigo publicado na edição deste domingo (23) atesta que Haddad, para além das ciclovias, que acabaram se destacando como ícone de sua gestão, recuperou as finanças e ele foi um marco na luta contra a corrupção na cidade: "[Haddad deixou] outras marcas além das faixas de ônibus, embora menos midiáticas. Exemplos são a renegociação da dívida, que desafogou as contas da cidade, e a criação da CGM (Controladoria Geral do Município), responsável pela descoberta do maior escândalo de corrupção recente, a máfia do ISS."
Sim, o jornal admite que Haddad conseguiu recuperar as finanças da cidade depois do período desastroso dos prefeitos de direita José Serra e Gilberto Kassab -o que é curioso, pois a direita e suas mídias, que fazem o discurso do "equilíbrio fiscal" e da "responsabilidade financeira", são responsáveis por verdadeiros descalabros quando assumem os governos, como o caso paulistano e o de Temer nacionalmente. Ao contrário da esquerda, que sempre coloca "a casa em ordem", como acontece nos governos do PT em âmbito federal, estadual e municipal.
O reconhecimento de Haddad por seu combate à corrupção é notável e deita por terra todo o discurso da própria Folha e dos demais veículos conservadores associados ao Judiciário e aos partidos de direita segundo o qual o PT seria "uma quadrilha". A reportagem confirmar o discurso de Haddad desde o início da campanha eleitoral segundo o qual o que importa no combate à corrupção é o fortalecimento das instituições, característica dos governos petista. A direita, ao contrário, tem ao longo da história operado na manipulação das instituições a serviço de seus interesses, como aconteceu nos governos FHC e, em São Paulo, nas gestões de Serra e Kassab.
Ainda que de maneira envergonhada, a reportagem indica que os projetos de obras importantes para a cidade foram afetados pela crise de 2015-2016. "Haddad foi eleito em um cenário de crescimento econômico, com a promessa de revolução urbanística e social", indica o texto. A reportagem atribui as dificuldades da gestão de Haddad, aos "protestos contra o aumento da tarifa de junho de 2013, o consequente congelamento da passagem e o reajuste do IPTU barrado pela Justiça". Mas, curiosamente, ignora o principal motivo para elas, a crise econômica aberta com o boicote do 'mercado' ao governo Dilma a partir do início de 2015.
Haddad explicou que os governos do PT foram responsáveis pelo melhor período da economia que o Brasil já teve. Enquanto o governo do PSDB do Fernando Henrique Cardoso aumentou a carga tributária, a gestão petista pagou o FMI e acumulou 400 bilhões de dólares de reservas cambiais.
No debate entre presidenciáveis promovido pela Rede Globo nesta quinta-feira (04/10), Guilherme Boulos (Psol) em sua pergunta para Geraldo Alckmin (PSDB), lembrou que o governo ilegítimo de Temer, apoiado por Bolsonaro epelo PSDB, aprovou a reforma trabalhista, que trouxe enormes retrocessos para os trabalhadores, tais como a instauração de vagas intermitentes, aumento de vagas temporárias e redução da remuneração em domingos e a redução da remuneração em domingos e feriados trabalhados.
Fernando Haddad afirmou que “sem democracia não há direitos. se foi possível gerar 20 milhões de empregos em apenas 12 anos, se foi possível fazer o filho do pedreiro entrar na universidade, nós devemos isso à democracia”.
Haddad lembrou que os governos do PT colocaram o pobre no orçamento. “Criamos o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família, o ProUni, o Luz Para Todos, as universidades federais. E vamos inserir o pobre de novo a partir do dia 1 de janeiro”, disse.
Haddad afirmou que “no Brasil, para aumentar a produção agrícola, não precisamos desmatar nenhuma árvore, desde que nós combatamos a especulação de terras. Tem muita terra improdutiva já desmatada”. Haddad ainda explicou que no Brasil existem ruralistas modernos que produzem e ruralistas arcaicos que não produzem (e apóiam Bolsonaro).
Um dos temas debatidos durante o debate da Globo foi a primeira infância. As políticas para a primeira infância foram uma prioridade para os governos do PT, e voltarão a sê-lo no governo de Haddad. A atenção com os cuidados e com a educação desde a primeira infância, além de dever do Estado no Brasil, se tornaram centrais nos governos do PT. O acesso à creche é essencial para o combate à desigualdade, sendo a garantia à educação infantil estratégica para as políticas de superação da pobreza
Para Haddad, a proposta do Temer não trabalha com as diferentes realidades do povo brasileiro, como por exemplo a realidade do trabalhador rural, que vive outra realidade, diferente dos centros urbanos.
A entrevista de Jair Bolsonaro à TV Record nesta quinta-feira (04/10) à noite serviu para atender a todos os interesses do candidato do PSL à presidência da República: ter um palanque para ele falar sozinho, fugir do debate na TV Globo, atacar o PT sem contraditório, e tentar, com isso evitar um segundo turno em que os eleitores possam finalmente conhecer e debater suas ideias e propostas. Ou a falta delas.
"No 2º. turno, Bolsonaro perderia para Fernando Haddad: o candidato petista tem, no momento, formidáveis 99,96% de chances de bater Bolsonaro na disputa final. Considerados os dois turnos, Haddad tem, no momento, 99,4% de probabilidade de ser o próximo presidente da República", diz o professor da USP.
Uma análise baseada na série de pesquisas presidenciais do Ibopee e do Datafolha feita pelo matemático Sérgio Wechsler, professor da Universidade de São Paulo (USP) e PhD em Estatística pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, mostra que Fernando Haddad (PT) tem 99,4% de chances de ser o novo presidente do Brasil – levando-se em consideração os dois turnos da eleição.
No relatório encomendado pela consultoria GO Associados, o qual a Fórum teve acesso, Wechsler analisa as pesquisas divulgadas até esta segunda-feira (24). Segundo ele, este levantamento dá 99,5% de probabilidade de um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad. A disputa Bolsonaro x Ciro Gomes (PDT) teria o 0,5% restante.
“No 2º. turno, Bolsonaro perderia para Fernando Haddad: o candidato petista tem, no momento, formidáveis 99,96% de chances de bater Bolsonaro na disputa final. Considerados os dois turnos, Haddad tem, no momento, 99,4% de probabilidade de ser o próximo presidente da República”, diz o professor da USP, que utiliza a abordagem bayesiana para construir a matriz de probabilidades.
Ainda segundo o matemático, “entre as reduzidíssimas chances de Ciro Gomes e
Jair Bolsonaro, há uma filigrana aritmética: Ciro tem mais chance que Bolsonaro de subir a rampa”.
A Emenda Constitucional 95, que limita por 20 anos os gastos públicos, continua sendo um dos assuntos mais questionados pelas pessoas que entram em contato com o meu gabinete.
Conforme esta emenda constitucional, as despesas primárias da União estão limitadas ao que foi gasto no ano anterior corrigido pela inflação.
Ou seja, por exemplo, em 2017, a despesa em termos reais (isto é, descontada a inflação ocorrida em 2016) ficou igual à realizada em 2016.
Por sua vez, em 2018, o limite anual será o teto de 2017 acrescido da inflação, em 2017. E assim por diante, enquanto a emenda constitucional estiver em vigor.
Senhor Presidente,
Tenho grande apreço pelo contraditório. Isso é uma das bases do sistema democrático. Agora, muitos especialistas dizem que a Emenda Constitucional 95, do teto dos gastos, é um atentado ao desenvolvimento social econômico do país.
Ela compromete todos os direitos sociais e afronta diretamente a Constituição Cidadã de 1988.
Compromete gravemente o atendimento dos direitos sociais previstos no Artigo 6º - educação, saúde, alimentação, trabalho, ...
... moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.
Afronta os objetivos do Artigo 3º, tendo em vista que ela inviabilizará o direito ao desenvolvimento socioeconômico do país, e não poderão avançar os programas que visam a erradicação da pobreza, a marginalização e as desigualdades.
Inviabiliza à Educação, o cumprimento do disposto no Artigo 208 e 212 e seus incisos.
Frustra o cumprimento do disposto no Artigo 196, relativamente ao atendimento à Saúde.
Portanto, ao promover drástica restrição, ajuste e congelamento sobre investimentos e gastos sociais essenciais à sociedade, ...
... esta emenda constitucional agrava o atendimento aos direitos sociais e impede o avanço socioeconômico do país.
De acordo com a projeção realizada pela Organização da Nações Unidas (ONU), até o ano de 2030, a população brasileira deverá aumentar 20,8 milhões, alcançando 228,6 milhões de pessoas.
Teremos, portanto, uma população maior, e um atendimento e um resguardo menor. O prejuízo social é iminente e gravíssimo.
Antes da promulgação dessa emenda, que ocorreu em dezembro de 2016, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiu nota, abre aspas...
... “é uma proposta injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro”, fecha aspas.
A Emenda Constitucional deixa fora do congelamento os gastos financeiros com a chamada dívida pública, pois tais gastos financeiros não fazem parte das despesas primárias.
Ela instaura tratamento discriminatório que privilegia o capital financeiro em detrimento de todos os direitos sociais e obrigações do Estado brasileiro.
Durante o longo período de 20 anos, o volume de gastos primários poderá ser atualizado apenas pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ...
... ainda que o país venha a conquistar grande avanços econômicos e aumente a arrecadação tributária, ou obtenha ganhos ou ingressos de quaisquer outras fontes patrimoniais ou econômicas.
A Emenda 95, da Morte, permite a destinação de recursos livremente, sem qualquer teto, limite ou restrição, ...
... a gastos com juros e encargos da chamada dívida pública, o que irá ampliar ainda mais a destinação de recursos a essa dívida que já ...
... consome, anualmente, quase a metade do orçamento federal, enquanto tantos direitos sociais são negados à população.
Ao limitar os investimentos em saúde, educação, trabalho, transporte, segurança, previdência social, entre outros, ...
... e favorecer o capital financeiro, o sistema da dívida e o esquema fraudulento operado por empresas estatais não dependentes ...
... que emitem debêntures (garantias da dívida pública), provocando danos financeiros, econômicos e patrimoniais ao País.
Senhor Presidente,
A Emenda 95 está desmontando o Estado brasileiro. A quem interessa tudo isso? Quem são os favorecidos?
Com total certeza não é população brasileira, os mais pobres, os necessitados, a nossa juventude, os nossos estudantes, os nossos trabalhadores.
O governo federal deveria SIM é cobrar a sonegação de impostos e tributos no Brasil. Segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), o Brasil deixa de arrecadar por ano cerca de 8% do PIB nacional.
Se o que é sonegado hoje no Brasil entrasse nos cofres dos governos municipal, estadual e da União, teríamos dinheiro para aplicar em políticas públicas que, obviamente, fariam a diferença na vida de milhões de pessoas.
Com certeza ajudaria em muito nas demandas da sociedade, na melhoria de escolas, nos salários dos professores e servidores, na iluminação das ruas, na redução do IPTU, ...
... no saneamento básico, na segurança pública, nas estradas para escoação da produção, no valor das aposentadorias e pensões.
Candidato do PSL mostra publicação que seria parte do 'kit gay', mas título nunca foi comprado pelo MEC nem foi incluído no projeto Escola sem Homofobia
No que talvez tenha sido o momento mais tumultuado da sua entrevista no Jornal Nacional, na noite desta terça-feira, Jair Bolsonaro (PSL) mostrou às câmeras por poucos segundos um livro intitulado Aparelho sexual e Cia, cuja capa traz o desenho de um menino de topete loiro olhando um tanto quanto assustado para o que tem dentro das próprias calças. Seria só mais um dos incontáveis episódios polêmicos de um candidato que tem esbravejado contra o que chama de campanha para o ensino de "ideologia de gênero" nas escolas do Brasil, não fosse um detalhe: praticamente tudo o que o candidato falou quando se referiu à publicação não encontra respaldo na realidade.
"Tomei conhecimento [em 2010] do que estava acontecendo lá [num corredor da Câmara dos Deputados]. Eles tinham acabado o nono Seminário LGBT Infantil", disse Bolsonaro, após ter sido perguntado pela jornalista Renata Vasconcellos sobre suas manifestações prévias de caráter homofóbico. "Estavam discutindo ali, comemorando o lançamento de um material para combater a homofobia, que passou a ser conhecido como kit gay. Entre esse material estava esse livro lá. Então, o pai que tenha filho na sala agora, retira o filho da sala, para ele não ver isso aqui. Se bem que na biblioteca das escolas públicas tem", emendou, para logo ser interrompido pelo âncora do JN William Bonner, que o lembrou que não estava permitido mostrar qualquer material gráfico durante a entrevista.
Bolsonaro deu a entender na sua declaração que o livro, de autoria do suíço Philippe Chappuis (conhecido como Zep) e da francesa Hélène Bruller, formava parte do projeto Escola sem Homofobia, que recebeu a alcunha de kit gay e que criou uma forte polêmica no primeiro mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff. Basicamente, tratava-se de um kit de apoio para a formação de professores em temas relacionados aos direitos LGBT, como o combate à violência e ao preconceito no ambiente escolar. A pressão de grupos conservadores, no entanto, fez com que a então presidente vetasse a proposta, e as peças de conscientização nunca saíram da gaveta. Logo no estreia da administração Dilma, a bancada evangélica dava uma clara demonstração de força.
Acontece que o livro em questão nunca fez parte do projeto Escola sem Homofobia. E mais: sequer foi adquirido ou fez parte de algum programa do Ministério de Educação. "Ao contrário do que afirmou erroneamente o candidato à presidência em entrevista ao Jornal Nacional na noite de 28 de agosto, ele [o livro] nunca foi comprado pelo MEC, como tampouco fez parte de nenhum suposto kit gay", disse, em nota, a Companhia das Letras, editora que lançou Aparelho sexual e cia em 2007. O MEC confirmou a informação. O que há registrado é uma compra, por parte do Ministério da Cultura em 2011, de apenas 28 exemplares da publicação para o programa Livro Aberto. Os livros foram entregues a diferentes bibliotecas públicas do País. Segundo a pasta da Cultura, nenhum foi distribuído para escolas.
Outro ponto da resposta de Bolsonaro contestado logo após o fim da entrevista foi a menção a um suposto Seminário LGBT Infantil. Trata-se do Seminário Nacional LGBT, realizado anualmente por comissões da Câmara que atuam na defesa dos direitos dessas comunidades. De acordo com o deputado Jean Wyllys (PSOL), coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, Bolsonaro está se referindo ao encontro promovido em 2012. Naquele ano, a temática escolhida para o seminário foi "Sexualidade, Papéis de Gênero e Educação na Infância e na Adolescência". Havia três eixos naquele seminário: Subjetividades e papéis de gênero (É possível falar em uma infância e adolescência gay?); Educação, sexualidade e gêneros (O que os papéis de gênero têm a ver com a prática do bullying nas escolas?); e Infância, adolescência e estado de direitos (Como estender as redes de proteção da infância e da adolescência aos meninos e meninas que fogem dos papéis de gênero?). A assessoria de Wyllys pontuou que não participaram crianças ao seminário, mas sim parlamentares, acadêmicos que estudam o tema e membros da sociedade civil. Em 2018, exemplifica Wyllys, a temática do seminário foi políticas para a população LGBT da terceira idade.
O livro citado na entrevista do JN foi publicado pelo nosso selo jovem. Infelizmente está fora de catálogo, mas nos orgulhamos da publicação
Reedição
Lançado pelo selo juvenil da Companhia das Letras, o livro mostrado por Bolsonaro está esgotado. Na nota que lançou na tarde desta quarta, a editora disse que está em contato com os donos dos direitos da obra para avaliar a possibilidade lançá-la novamente no Brasil. A Companhia das Letras afirmou ainda que o texto original foi traduzido para dez idiomas ao redor do mundo e vendeu mais de 1,5 milhão de cópias, tendo sendo transformado em exposição que ficou em cartaz em Paris. O público alvo da publicação é formado por adolescentes: no catálogo da editora, ela era sugerida para alunos de 11 a 15 anos.
A Companhia das Letras defendeu enfaticamente o título. Segundo a empresa, a publicação tem "sólida base pedagógica e rigor científico" ao abordar "todos os aspectos da sexualidade". No comunicado, a editora diz que os autores conseguem tratar de forma "leve" assuntos importantes como paixão, mudanças da puberdade, contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, pedofilia e incesto. "O livro conta ainda com uma seção chamada 'Fique esperto', que alerta os adolescentes para situações de abuso, explica o que é pedofilia — mostrando como tal ato é crime —, o que é incesto e até fornece o contato do Disque-denúncia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos'", explica a Companhia das Letras."O conteúdo da obra nada tem de pornográfico, uma vez que, formar e informar as crianças sobre sexualidade com responsabilidade é, inclusive, preocupação manifestada pelo próprio Estado, por meio de sua Secretaria de Cultura do Ministério da Educação que criou, dentre os Parâmetros Curriculares Nacionais, um específico à 'Orientação Sexual' para crianças, jovens e adolescentes", conclui a editora.orgulhamos da publicação